Poemas não são para serem publicados
(...)
Não são nem mesmo um incentivo à leitura,
pois quem vai ler linhas quebradas
oriundas de alma idem?
Renata Pallottini
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
terça-feira, 18 de setembro de 2007
Arrebol
"...lastimavam-se um bocado. Junto ruminavam coisas como justiça, abundância, mundo melhor, um mundo fundado no nada feito, mundo às avessas do já mal feito, feitio de mundo que niguém viu, essas sandices que a gente só imagina quando não tem que furar poço e cavucar atrás de raiz..."
HOLANDA. Chico Buarque de; Fazenda Modelo; Civilização Brasileira; 1995.
HOLANDA. Chico Buarque de; Fazenda Modelo; Civilização Brasileira; 1995.
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
"Mais importante que o amor é a gentileza"
não é não!
é sim!
não, não é!
é!
NÃO É!
...
Você tem razão, é.
Mas você não disse que não era?
não é, mas...Love Story está no drive-in, eu adoro o drive-in!
é sim!
não, não é!
é!
NÃO É!
...
Você tem razão, é.
Mas você não disse que não era?
não é, mas...Love Story está no drive-in, eu adoro o drive-in!
terça-feira, 11 de setembro de 2007
A mosca azul
Era uma mosca azul, asas de ouro e granada,
Filha da China ou do Indostão.
Que entre as folhas brotou de uma rosa encarnada.
Em certa noite de verão.
E zumbia, e voava, e voava, e zumbia,
Refulgindo ao clarão do sol
E da lua — melhor do que refulgiria
Um brilhante do Grão-Mogol.
Um poleá que a viu, espantado e tristonho,
Um poleá lhe perguntou:
— "Mosca, esse refulgir, que mais parece um sonho,
Dize, quem foi que te ensinou?"
Então ela, voando e revoando, disse:
— "Eu sou a vida, eu sou a flor
Das graças, o padrão da eterna meninice,
E mais a glória, e mais o amor".
E ele deixou-se estar a contemplá-la, mudo
E tranqüilo, como um faquir,
Como alguém que ficou deslembrado de tudo,
Sem comparar, nem refletir.
Entre as asas do inseto a voltear no espaço,
Uma coisa me pareceu
Que surdia, com todo o resplendor de um paço,
Eu vi um rosto que era o seu.
Era ele, era um rei, o rei de Cachemira,
Que tinha sobre o colo nu
Um imenso colar de opala, e uma safira
Tirada ao corpo de Vixnu.
Cem mulheres em flor, cem nairas superfinas,
Aos pés dele, no liso chão,
Espreguiçam sorrindo as suas graças finas,
E todo o amor que têm lhe dão.
Mudos, graves, de pé, cem etíopes feios,
Com grandes leques de avestruz,
Refrescam-lhes de manso os aromados seios.
Voluptuosamente nus.
Vinha a glória depois; — quatorze reis vencidos,
E enfim as páreas triunfais
De trezentas nações, e os parabéns unidos
Das coroas ocidentais.
Mas o melhor de tudo é que no rosto aberto
Das mulheres e dos varões,
Como em água que deixa o fundo descoberto,
Via limpos os corações.
Então ele, estendendo a mão calosa e tosca.
Afeita a só carpintejar,
Com um gesto pegou na fulgurante mosca,
Curioso de a examinar.
Quis vê-la, quis saber a causa do mistério.
E, fechando-a na mão, sorriu
De contente, ao pensar que ali tinha um império,
E para casa se partiu.
Alvoroçado chega, examina, e parece
Que se houve nessa ocupação
Miudamente, como um homem que quisesse
Dissecar a sua ilusão.
Dissecou-a, a tal ponto, e com tal arte, que ela,
Rota, baça, nojenta, vil
Sucumbiu; e com isto esvaiu-se-lhe aquela
Visão fantástica e sutil.
Hoje quando ele aí cai, de áloe e cardamomo
Na cabeça, com ar taful
Dizem que ensandeceu e que não sabe como
Perdeu a sua mosca azul.
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
FIM DE CARREIRA - Dedicado à Unesp
Faz Tempo
Ivete Sangalo
Composição: Gigi / Fabiano O'Brian
Já não se sabe
O momento exato de partir
Não quero me entregar
Tão cedo
Aquele amor que eu senti
Quando te conheci
Não tá rolando mais
Faz tempo
Não vejo mais
O brilho dos seus olhos
Pra mim
Nem sei se ainda
Posso mesmo te fazer feliz
Cada momento que passamos
Juro!
Foi bom!
Mas tudo que acende, apaga
E o que era doce se acabou
E quando eu penso em ir embora
Você não quer me dar razão
Me diz que eu tô jogando fora
O amor que tem no coração
Eu fico disfarçando
Finjo que não sei
Que em pouco tempo rola
Tudo outra vez...(2x)
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
O pretexto
O que dizer?
Uma teimosia em acreditar que há o que se dizer
Mas na verdade há
Há, no lugar de palavras, cores e pensamentos
há que se falar em cores e pensamentos, então.
As cores dela inspiram curiosidade e só
E não é pouco
Por engano, tudo conspira contra e nisso eu acho graça
Queria mesmo entender esses mal-entendidos
e entender essa falta do que dizer
e descobrir onde está a graça
Uma teimosia em acreditar que há o que se dizer
Mas na verdade há
Há, no lugar de palavras, cores e pensamentos
há que se falar em cores e pensamentos, então.
As cores dela inspiram curiosidade e só
E não é pouco
Por engano, tudo conspira contra e nisso eu acho graça
Queria mesmo entender esses mal-entendidos
e entender essa falta do que dizer
e descobrir onde está a graça
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
"Uma sociedade onde o essencial não falta e o supérfluo não tem lugar"
Uma viagem aos últimos anos da China Comunista acompanhada desse sujeito aqui do lado, Henrique de Souza Filho.
Inteligência, humor, sensibilidade, açúcar, o elemento X e tudo o que há de bom, respectivamente.
"E a vida,
tão generosa comigo,
veio de amigo a amigo
me apresentar a você".
segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Sobre ser ou não ter e vice-versa
Lí o nome: João Pessoa. Referia-se o lugar, mas não lembro sobre o que pois, do lugar, ainda sei só como se chama. Na hora, graças a atenção com que lia o texto, pensei "terei em breve um filho chamado João Pessoa". Seria bom? Seria ruim? E se fosse menina? Maria João Pessoa ou o nome da minha mãe acompanhado de Neta. Devo dizer que não me sustento financeiramente sozinha, quanto mais a uma criança. Está certo, assim que puder me sustentar terei um filho! Mas ter um filho, na verdade, não tem muito a ver com ter dinheiro: Ví uma mulher com três filhos, todos pobres e pequenos, no ponto de ônibus com sacolas de supermercado. Pensei "olha aí essa mulher, com três filhos, deve viver com pouco mais do que eu gasto só comigo". Surpreendentemente, como em coisa de filme, uma das crianças, a que carregava a comida recém comprada, disse à mãe: -Vamo comer mãe? E ela, como quem precisa ensinar aos filhos que só se como quando se pode, respondeu secamente:-Não
Fingindo que eu, naquela hora, não tinha pelo menos três meios de fazer aquele muleque comer (se quisesse mesmo), pensei "Será que isso serve pra eu ter ou não um filho?"
18 de Outubro de 2006
Fingindo que eu, naquela hora, não tinha pelo menos três meios de fazer aquele muleque comer (se quisesse mesmo), pensei "Será que isso serve pra eu ter ou não um filho?"
18 de Outubro de 2006
Num bom estado.
tenho aqui do meu lado uma nota de dez
e do outro um mouse
e depois uma cadeira
e computadores em voltae uma biblioteca por perto
e umas pessoas importantes bem longe
e um dia eu peguei um inseto pensando q era uma folha.
a minha vida nao eh gloriosa como a do ferrez,
badalada como a da bruna surfistinha,
nem miserável como a de uma pessoa q frequenta o mac donalds
mas "eu sou o q me faz viver"
e isso eh coisa de shakespeare, olha só!
13 de setembro de 2006
e do outro um mouse
e depois uma cadeira
e computadores em voltae uma biblioteca por perto
e umas pessoas importantes bem longe
e um dia eu peguei um inseto pensando q era uma folha.
a minha vida nao eh gloriosa como a do ferrez,
badalada como a da bruna surfistinha,
nem miserável como a de uma pessoa q frequenta o mac donalds
mas "eu sou o q me faz viver"
e isso eh coisa de shakespeare, olha só!
13 de setembro de 2006
Para ler e coincidir ou colidir ou...
Nem as Tábuas da Lei, nem as Leis das tábuas, que ora lhe querem impor os novos faraós, conseguem transformá-lo num rebanho de carneiros. Peca e redime-se com a serena bravura de seus grandes gestos. Peca e segue em frente, com a segurança de que nao há sistema político que contenha esta incansável alegria de viver...e de pecar.
Ênio Silveira - orelha do livro Os dez mandamentos, achado quando eu fuçava na biblioteca da FCT sobre mais do Carlos Heitor Cony, depois de ler os cinco primeiros capítulos do Quase memória.
20/09/2006
Ênio Silveira - orelha do livro Os dez mandamentos, achado quando eu fuçava na biblioteca da FCT sobre mais do Carlos Heitor Cony, depois de ler os cinco primeiros capítulos do Quase memória.
20/09/2006
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